Titular na estreia do técnico, há uma semana, camisa 7 decide abandonar seleção, insatisfeito com a reserva
Apenas uma semana atrás, Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo estavam sentados lado a lado em uma entrevista coletiva, na véspera do jogo contra o País de Gales, estreia do treinador no comando da seleção portuguesa. Parecia um sinal de união entre o maior artilheiro da equipe nacional e o novo comandante, uma dobradinha construída na temporada anterior, no Al-Nassr.
Nesta quarta-feira, ao abandonar a seleção antes do jogo contra a Dinamarca, em Copenhague, CR7 estabeleceu definitivamente uma crise que foi se desenhando aos poucos.
Na coletiva de quarta-feira passada, o Mister elogiou seu camisa 7, dizendo que ele era um símbolo de Portugal. Mas, como se antecipasse um problema, avisou que as decisões sobre a escalação caberiam apenas à comissão técnica. Cristiano Ronaldo, por sua vez, não deixou por menos:
— Se ele (Jorge Jesus) não contar comigo, posso sair já hoje. Não tem problema nenhum. O presidente também, quando eles não quiserem contar comigo, quando sentirem que não estou fazendo nada, que não dou nada dentro de campo, que não faço gols ou faço um ambiente ruim ou que não querem que eu esteja aqui, sou o primeiro a pegar minha mala e ir embora — disse o atacante na mesma coletiva.
No dia seguinte, CR7 foi titular contra o País de Gales, mas não jogou bem. Até fez um gol, impedido, e perdeu uma chance claríssima diante do goleiro. Foi substituído aos 23 minutos do segundo tempo, e Jorge Jesus explicou, depois, que precisava de um atacante de velocidade, capaz de pressionar a saída de bola adversária: “Cris não conseguia mais fazer isso. Eu sabia que, ofensivamente, ele não podia fazer muito mais”, explicou o treinador.
O clima entre o técnico e o astro da seleção azedou de vez no duelo contra a Noruega, domingo passado. CR7 começou no banco de reservas, dando lugar a Gonçalo Ramos, algo que já havia sido indicado pelo treinador antes. Porém, houve uma divergência com relação à utilização de Cristiano na reta final da partida.
O camisa 7 foi para o aquecimento junto aos outros reservas logo depois do intervalo. E, em meio ao desenrolar do jogo, não foi a campo, vendo Gonçalo Ramos fazer o gol que garantiu a vitória para Portugal, fora de casa. A polêmica começou assim que a partida terminou: Cristiano Ronaldo deixou o campo logo após o apito final, demonstrando irritação.
CR7 falta a treino antes de deixar a seleção
A cena chamou a atenção, e o noticiário da seleção portuguesa passou a focar em uma possível crise entre técnico e capitão. O problema ganhou corpo diante da ausência de Cristiano Ronaldo no treinamento de terça-feira, gerando diferentes versões na imprensa lusa. As primeiras informações foram de que o local não tinha os equipamentos necessários para o treinamento individual do craque.

Cristiano Ronaldo foi titular na estreia de Jorge Jesus em Portugal — Foto: Efe
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, foi até a concentração da seleção nesta quarta para ajudar a aparar as arestas e, de acordo com os relatos, se reuniu com Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo. As primeiras impressões, de que o encontro tinha sido positivo, logo ruíram.
Em outra entrevista coletiva, Jorge Jesus avisou que só responderia duas perguntas sobre Cristiano Ronaldo, mas ouviu seis questões sobre o craque, o jogo contra a Noruega e a relação com ele. Em alguns momentos, demonstrou irritação com os jornalistas, mas respondeu todas as questões.
Primeiramente, o Mister negou que “havia caso” entre ele e Cristiano Ronaldo, rechaçando a polêmica e indicando que, apesar de ter planejado utilizar o craque por “20 a 30 minutos contra a Noruega”, o jogo mudou seus planos. Jorge Jesus apenas admitiu que “o que fez de mal” foi colocar o camisa 7 para aquecer logo após o intervalo.
O ex-treinador do Flamengo, porém, aproveitou para deixar claro que, “apesar do estatuto” de Cristiano Ronaldo na seleção, as escolhas sobre a utilização dos atletas são apenas do treinador. O Mister também chegou a dizer que seu plano era ter Gonçalo Ramos como titular novamente. Só que, mais uma vez, reforçou seu comando, ao afirmar que “nenhum jogador mudará suas ideias”. CR7 já estava no Estádio Parken, em Copenhague, para participar da atividade.
Foi então que Cristiano Ronaldo esticou ainda mais a corda, deixando claro que existe mais do que um simples problema de entendimento entre craque e treinador. CR7 abandonou o estádio antes do treino, justamente após a coletiva do técnico. Depois, nas redes sociais, indicou que pretende, em breve, dizer “a verdade a todos os portugueses” sobre a sua saída. Cristiano Ronaldo não citou o nome de Jorge Jesus na publicação e desejou sorte à seleção de Portugal e aos companheiros de equipe.
Fonte:ge.globo.com
(Foto: Johan NILSSON / various sources / AFP)



















