No século XIX, a Inglaterra era o país mais poderoso do mundo e a rainha Vitória, sua soberana. Certo dia, o ministro William Gladstone, apresentou à rainha uma lei que acabara de ser aprovada pelo Parlamento, mas, a soberana não gostou. “Isto não assino. Eu sou a rainha”, disse ela irritada. “Eu sou o povo, assine”, retrucou o ministro secamente. E a rainha Vitória concordando, assinou e disse: “Tens razão, Gladstone, o povo é mais poderoso do que eu”.
A DEMOCRACIA é o regime político vigente no Brasil. Significa que o poder de governar vem do povo. Seria impossível uma gestão na qual todos pudessem tomar decisões, por isso, a democracia é representativa. Escolhemos, por meio do voto, aqueles (as) que vão tomar decisões, em nosso nome, em vista do bem comum. É o regime que tem por norma a liberdade, a participação e o compromisso de todos.
O GOVERNO democrático, apesar de ser um regime imperfeito, por não atender todas as necessidades do povo, ainda é melhor do que qualquer regime ditatorial. Conhecemos as trágicas consequências das ditaduras e totalitarismos. Toda forma de opressão, seja política, social, econômica e religiosa é uma negação frontal a democracia. As eleições são um instrumento para a escolha de quem deve exercer o poder. Ninguém é dono do poder!
NO BRASIL, o poder é dividido em três instâncias, independentes e harmônicas entre si: Legislativo, Executivo e Judiciário. O Poder Legislativo tem a competência de elaborar e aprovar leis. O Poder Executivo é responsável pelo planejamento de obras e sua execução, administrando o orçamento público. Ao Poder Judiciário compete aplicar as leis e decidir as competências diante dos litígios entre pessoas físicas e jurídicas. Existe ainda o chamado Quarto Poder, constituído da imprensa livre, que é porta-voz do povo.
OS GOVERNANTES têm obrigação de exercer o poder e legislar em favor do bem comum. Isso, nem sempre acontece. No Brasil e em outros lugares do mundo, a imprensa revela, com certa frequência, ninhos de corrupção nos Três Poderes. Alguns se justificam: “Eu sou o poder”, outros dizem: “Eu sou o povo”. O povo não é mais importante do que essas autoridades? Os governantes devem ser servidores do povo e nunca seus senhores!
O EVANGELHO, a partir do próprio Jesus, aponta a verdadeira dimensão do poder: “Sabeis que os chefes das nações, as dominam e os grandes impõem sua autoridade. Entre vós não seja assim. Quem quiser ser o maior, no meio de vós, seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro, no meio de vós, seja o servo de todos”. (Mc 10, 42-44). E também: “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”. (Lc 22,27).
Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito
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