Relatórios citam encontros, viagens, atuação em pautas legislativas e suspeitas de vantagens indevidas; senador e o ex-sócio do Master Augusto Lima trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025
A PF (Polícia Federal) detalhou, em relatórios enviados ao STF (Supremo Tribunal Federal), uma relação de proximidade pessoal e interlocução política entre o senador e ex-líder do governo Lula, Jaques Wagner (PT-BA), e executivos ligados ao Banco Master.
Segundo a investigação, Wagner mantinha uma relação de confiança com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira, conhecido como “Guga”. A PF sustenta que esse vínculo também aproximou o parlamentar de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e criou canais para tratar de pautas legislativas e operações de interesse do Master.
Levantamento da corporação mostra que o senador e Augusto Lima trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando cinco horas e 30 minutos de conversa.
Os documentos foram tornados públicos pelo ministro André Mendonça, relator do caso, na quinta-feira (30). Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador recebeu vantagens econômicas de gestores do Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição.
Entre elas, estão as tratativas da compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador, que teria seguido o mesmo esquema usado na aquisição de imóveis dados como propina ao ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), Paulo Henrique Costa.
Antes da operação em 18 de junho, Mendonça autorizou a PF a acessar registros telefônicos e monitorar, durante dez dias, a localização aproximada do celular de Jaques Wagner por meio das antenas das operadoras.
A decisão permitiu o acesso ao histórico de chamadas, SMS sem conteúdo, identificação dos aparelhos, conexões de internet e estações de telefonia utilizadas pela linha. O ministro não autorizou a escuta ou o acesso ao conteúdo das conversas.
Ao justificar a urgência da medida, o ministro registrou ainda um episódio que, segundo ele, “agudiza os riscos de vazamento”. Isso porque no mesmo dia em que a PF apresentou os pedidos de busca e apreensão, além de monitoramento dos celulares, o ministro recebeu um pedido de audiência de um dos alvos.
Relação com ex-sócio de Vorcaro
A PF descreve como “longa e duradoura” a relação entre Wagner e Augusto Lima. Mensagens analisadas pela corporação mostram encontros entre as famílias, viagens e demonstrações de proximidade.
Em outubro de 2023, o senador e a mulher aceitaram convite para passar um fim de semana na chamada Ilha da Paixão, imóvel então sob controle de Augusto. O deslocamento teria sido feito em aeronave ligada ao empresário.
Após a viagem, a mulher do senador escreveu à família de Augusto: “A gente ama vcs”. O ex-executivo respondeu: “Amamos vocês!!”. Para a PF, trocas como essa ajudam a demonstrar o grau de confiança entre os dois núcleos familiares.
Os investigadores também identificaram uma lista intitulada “Lembranças de Fim de Ano”, enviada pela secretária de Augusto no dia 17 de dezembro de 2024. O documento reunia autoridades que receberiam presentes de Natal, entre elas:
Bruno Reis, prefeito de Salvador;
Jaques Wagner, senador e então líder do Governo Lula no Senado;
Rui Costa, então ministro da Casa Civil;
ACM Neto, ex-deputado federal e candidato ao governo da Bahia;
Antônio de Rueda, presidente nacional do União Brasil;
Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia.
Na sequência, a secretária enviou uma lista de vinhos com preços entre R$ 2.500 e R$ 5.300. Fotografias posteriores mostram embalagens destinadas a “Jaques” e a “Tio Guiga”, referência a Guilherme Sodré, pessoa próxima ao senador.
Fonte:www.cnnbrasil.com.br


















