Programa prevê compra de débitos com até 90% de desconto, retirada do nome de inadimplentes dos cadastros de restrição e renegociação direta com o Tesouro Nacional
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta sexta-feira (25), o Desenrola 3.0, programa que tem como objetivo atacar até R$ 150 bilhões em dívidas de famílias brasileiras. A proposta prevê que a União compre débitos de instituições financeiras com descontos de até 90% sobre o valor original.
Com isso, o governo estima desembolsar cerca de R$ 15 bilhões para viabilizar a iniciativa. Serão elegíveis dívidas de cartão de crédito rotativo e de crédito pessoal sem consignação em folha, com atraso entre dois e quatro anos e meio.
A operação permitirá a retirada do nome dos consumidores dos cadastros de inadimplência no momento em que a dívida for adquirida pelo governo federal. A partir daí, o devedor passará a ter uma pendência de renegociação diretamente com o Tesouro Nacional, com juros mais baixos e parcelas ajustadas à sua faixa de renda.
Durante o evento, Lula criticou o fácil acesso de crédito cedido por bancos às pessoas já endividadas e o descompasso entre o limite ofertado e a capacidade de renda. O presidente também comentou fatores que tem levado a população ao endividamento.
“Nem sempre o salário é muito bom para pagar suas dívidas. Às vezes as pessoas entram em um descompasso e fazem dívida de forma desordenada e depois não conseguem se acertar mais. Sobretudo pela facilidade do crédito. E é importante que a gente cuide para que as pessoas não possam receber 4, 5, 6 cartões de créditos”, destacou.
O presidente comparou o crescimento do endividamento com o avanço das bets no país ao começo da disseminação do consumo de crack e o impacto que causava aos usuários e famílias.
“Me lembrou um pouco no começo do crack nesse país. Eu encontrava mães em atos públicos e elas me diziam ‘pelo amor de Deus o meu filho tirou o botijão de gás que estava no fogão para vender, para comprar crack’. Ou seja, as pessoas perderam o limite de qualquer responsabilidade. Com as bets, está acontecendo exatamente a mesma coisa e em um grau muito maior, porque é digital”, criticou.
Fonte:www.infomoney.com.br



















