Casos envolvendo respiradores, contratos da Sufotur e embates com aliados voltam ao centro do debate público em momento decisivo às vésperas da campanha
A pouco mais de três meses das eleições, escândalos de corrupção, polêmicas e desgastes políticos passaram a colocar em xeque a candidatura do ex-governador da Bahia Rui Costa (PT), que pretende disputar o Senado nas eleições deste ano. Investigações que remontam à sua gestão, episódios recentes de confronto político e sucessivas controvérsias voltaram ao centro do debate público, ampliando a pressão sobre o petista neste período que antecede a campanha eleitoral.
O caso de maior repercussão continua sendo a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da Covid-19. Em 2020, quando governava a Bahia presidia o colegiado de governadores, Rui Costa assinou o contrato para a aquisição de 300 respiradores, ao custo de R$ 48,7 milhões, com pagamento antecipado. Os equipamentos nunca foram entregues e os recursos públicos não foram recuperados.
Recentemente, a Procuradoria-Geral da República pediu que a investigação retorne ao Supremo Tribunal Federal (STF), sustentando que há indícios de crimes cuja suposta ocultação de valores teria se estendido ao período em que Rui ocupava cargo com foro privilegiado.
Em 2022, em depoimento concedido por Rui à Polícia Federal num inquérito em que a corporação realiza junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ex-governador justificou que um dos motivos que o fez liberar a contratação da Hempcare, microempresa de importação de produtos à base de maconha, deveu-se ao fato de ele não dominar a língua inglesa, em que hemp significa maconha e care, cuidado.
Outro episódio que voltou a gerar desgaste envolve as investigações sobre contratos da Superintendência de Fomento ao Turismo do Estado da Bahia (Sufotur), cujas revelações recentes chamaram a atenção para os fortes indícios de irregularidades.
Embora as apurações tenham sido reveladas já na gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), parte dos contratos e procedimentos administrativos investigados teve origem ainda no período em que Rui Costa comandava o Governo da Bahia. Reportagem da TV Bahia apontou suspeitas de superfaturamento em cachês pagos com recursos públicos entre 2015 e 2024.
Segundo a reportagem, os gastos da Sufotur chegaram a R$ 1,84 bilhão até 2026. A receita da autarquia teria saído de R$ 79 milhões em 2019 para R$ 623 milhões em 2024, crescimento de quase 700%. Ainda conforme a apuração, quatro produtoras receberam, entre 2023 e 2025, 641 pagamentos que somaram mais de R$ 58 milhões.

Diogo Medrado, ex-superintendente da Sufotur, nome de confiança de Rui Costa Crédito: Reprodução
As investigações colocam no centro das atenções o ex-superintendente da Sufotur, Diogo Medrado, nome de confiança de Rui Costa. Em função dos indícios de irregularidades apontados pelo TCE, Medrado teve as contas de 2019, 2020 e 2021 desaprovadas pela Corte.
Turbulência política
A tudo isso se soma ao inferno astral vivido por Rui Costa na política. O ex-ministro ficou mais de três anos à frente da Casa Civil de Lula e, ao longo deste período, acumulou desavenças com colegas de outros ministérios, polêmicas com a imprensa e atritos públicos com aliados, o que tornou Rui persona non grata em Brasília.
Fonte:www.correio24horas.com.br
Rui Costa acumula pressão política em meio ao avanço de investigações, controvérsias e embates com aliados do próprio partido político Crédito: Pedro França/ Agência Senado


















