Cada dia mais se dedica datas comemorativas a causas ou eventos significativos.
Com frequência nos perguntamos: por que e para que comemorar datas que se referem a profissões, costumes, tradições, nossa história e tantas outras? Com ou sem resposta a essa pergunta, é provável que todos nós tenhamos preferência por certas datas e aguardamos, ano após ano, esse tal “dia de…”.
TEMOS o Dia da Paz, da família, dos pais, das mães, dos enfermos, da criança, da pessoa idosa, do professor, do médico, Dia Internacional da Mulher, Dia Mundial dos Pobres… Isso sem esquecer o Dia do Índio, da Consciência Negra, do Meio Ambiente, das Comunicações Sociais… Ao lado dessas datas, surgem outras pouco conhecidas como: Dia da Sogra, Dia do Fico, Gari, Bombeiro, Vendedor, Porteiro, Carteiro, Circo…
NEM TODAS as datas são positivas. Celebra-se o Dia contra a AIDS, contra o fumo, contra a poluição sonora… Dia sem automóvel, sem televisor, sem celular… Existem ainda datas que fogem de nosso controle: Dia da Mentira, Dia dos Terremotos, Dia das Catástrofes Ambientais… Em meio a essa confusão indisciplinada de datas parece faltar uma: o Dia do Contrário.
NESSE DIA, cada pessoa deixaria seu lugar para assumir o lugar do outro, especialmente, daquele com quem contracena. Numa família, por exemplo, todos mudariam de lugar. O marido assumiria as tarefas da esposa; os filhos tentariam ver a realidade a partir do ponto de vista dos pais e vice-versa. Seria, também, oportuno que acontecesse o Dia do Contrário nas rodovias. O pedestre experimentaria a realidade pilotando um carro, enquanto o motorista assumiria as dificuldades do pedestre.
OUTROS exemplos: na sala de aula, professor e aluno trocariam de lugar. O mesmo aconteceria nas empresas: a troca de posição entre o patrão e o empregado. No futebol, a troca seria entre o juiz e os jogadores. Na política, o eleitor assumiria o comando e os políticos obedeceriam às leis. Salutar, também, seria a troca de posição nas igrejas. Os pregadores sentariam nos bancos, enquanto um fiel faria o sermão. Cada situação, portanto, é percebida a partir de um ponto de vista. E todo o ponto de vista é visto a partir de um ponto.
COM REFERÊNCIA a acontecimentos religiosos, devido a tantas datas mencionadas acima, facilmente, deixamos em segundo plano celebrações religiosas, tais como: Dia dos Reis Magos, Corpus Christi, Santo Antônio, São João, Santa Dulce dos Pobres, Finados, Nossa Senhora Aparecida, Natal, Páscoa, Pentecostes e muitas outras. A Igreja incentiva a celebração anual dessas festas, nas famílias e comunidades, para que vivamos os ensinamentos dos santos e da Palavra de Deus.
Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito
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