Dados apresentados durante o 1º Fórum sobre Violência no Trânsito revelam crescimento de acidentes graves, principalmente envolvendo motociclistas, e alto custo para o SUS
A violência no trânsito segue como um dos principais desafios da mobilidade urbana e da saúde pública em Feira de Santana. O alerta foi reforçado em coletiva de imprensa que apresentou os dados do Primeiro Fórum sobre Violência no Trânsito, iniciativa promovida pela Câmara da Mulher Empresária, em parceria com o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), a Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) e outros órgãos.
Segundo o superintendente municipal de Trânsito, Ricardo Cunha, a redução dos sinistros passa, necessariamente, pela integração entre os órgãos envolvidos e pela produção de dados mais precisos.

Foto: JP Miranda
“Quando existe a união dos órgãos que atuam no trânsito e na saúde, a gente consegue conhecer melhor a realidade de cada um e, a partir disso, tomar decisões mais eficazes. Primeiro é entender o problema com clareza, para depois agir e reduzir de forma efetiva os sinistros em Feira de Santana”, afirmou.
De acordo com Ricardo, embora alguns pontos da cidade concentrem maior número de ocorrências, o comportamento imprudente tem sido um fator determinante, especialmente entre motociclistas.
“Feira de Santana cresce muito, mas o que chama atenção hoje é o número de motociclistas conduzindo de forma imprudente. Isso tem pesado nas estatísticas e nos levado a priorizar ações preventivas”, destacou.
Para enfrentar o problema, a SMT está implantando um sistema integrado de informações, que reunirá dados da própria Superintendência, do SAMU, do Hospital Clériston Andrade e de outros órgãos.
“Hoje cada órgão tem seu sistema, mas não conseguimos cruzar informações de forma precisa. A ideia é manter os sistemas próprios, mas alimentar uma base única, inclusive com acesso para a imprensa. Sem a imprensa, a gente não vence essa guerra”, ressaltou Ricardo.
Outro ponto abordado foi a criação de áreas específicas para embarque e desembarque em vias como a Avenida Getúlio Vargas. Mesmo com a regulamentação, ainda são registradas infrações.
“Não queremos autuar por autuar. Criamos os espaços porque as pessoas não tinham onde embarcar ou desembarcar. Ainda assim, muitos insistem em cometer infrações. Isso mostra que o grande desafio é a mudança de comportamento”, avaliou o superintendente.
A meta da SMT é ampliar esses pontos no Centro da cidade.
“Nossa meta para 2026 é chegar a 30 pontos regulamentados. Estrutura nós estamos criando, agora precisamos entender por que as pessoas insistem em desrespeitar as regras”, completou.
Hospital Clériston Andrade recebe maioria dos casos graves
A diretora do Hospital Geral Clériston Andrade, Cristiana França, revelou dados preocupantes sobre o impacto direto dos acidentes de trânsito na unidade.

Foto: JP Miranda
“Hoje, indiscutivelmente, cerca de 80% dos pacientes politraumatizados que chegam ao Clériston são vítimas de acidentes de trânsito. É o maior volume que atendemos”, afirmou.
Somente em 2025, o hospital registrou 3.339 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito, um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior.
“A maioria desses pacientes é de Feira de Santana, mas também recebemos casos de cidades vizinhas e distritos. Muitos chegam com trauma de crânio porque não utilizam capacete, principalmente no interior”, alertou.
Segundo a diretora, os acidentes mais graves se concentram nas grandes vias da cidade.
“A Avenida Contorno lidera disparadamente. Depois vêm a Noide Cerqueira, a Getúlio Vargas e a BR-116. Esses trechos já se repetem ano após ano”, explicou.
A principal causa, de acordo com os levantamentos, é o excesso de velocidade, aliado à imprudência.
Além das perdas humanas, o impacto financeiro é elevado. Conforme a diretora, um paciente politraumatizado internado em UTI custa em média R$ 5 mil por dia.
“Quando vai para a enfermaria, o custo gira em torno de mil reais, podendo chegar a dois mil por dia em áreas como neurocirurgia. É um valor muito alto, que poderia ser investido em outras áreas da saúde”, destacou.
Cristiana chamou atenção ainda para o perfil das vítimas.
“Cerca de 80% dos atendimentos são por acidentes de motocicleta. A maioria são homens, entre 16 e 35 anos, ou seja, pessoas em idade produtiva. Muitos não morrem, mas ficam com sequelas graves, o que gera um impacto enorme para a família e para a sociedade”, concluiu.
Fonte:deolhonacidade.net
*Com informações do repórter JP Miranda
Fotos :JP Miranda


















