Gravações revelam conversas de Matheus Castro e integrantes da torcida organizada do Bahia. Dez pessoas foram presas e denunciadas pelo Ministério Público por crimes como tortura, roubo e extorsão.
“Vamos pegar até uns alicates para a gente arrancar as unhas dele.”
A frase faz parte de áudios gravados por Matheus Pires Castro, presidente da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, e enviados a diretores e integrantes do grupo. Ele e outras nove pessoas foram presas em 28 de setembro, suspeitas de participar dos crimes. Todos permanecem presos.
Nas mensagens, obtidas pelo g1 e pela TV Bahia, ele convoca pessoas para sessões de tortura física e psicológica que, segundo as investigações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), ocorreram na sede da entidade, em Salvador, em julho deste ano.
Em uma das gravações, Matheus Castro afirma que quem tivesse nojo de sangue não deveria comparecer ao local. Em outra, diz que uma das vítimas precisava apanhar para servir de exemplo. As mensagens também mostram o presidente minimizando o risco de consequências policiais e ameaçando provocar ferimentos graves.
Nas gravações, o presidente da Bamor fala sobre as agressões que pretendia promover e tenta afastar integrantes que demonstrassem receio de participar das sessões de violência.
Em um dos trechos, ele minimiza a possibilidade de consequências para os envolvidos: “Porra nenhuma, meu irmão, que nada. Vai dar porra nenhuma, irmão”.
Em outra mensagem, anuncia o que pretendia fazer com uma das vítimas:
“Amanhã é tirar a saúde dele. Vamos pegar até uns alicates para a gente arrancar as unhas dele”.

Marcas nas costas de uma das vítimas — Foto: Reprodução/TV Bahia
O presidente também orienta que integrantes contrários às agressões não compareçam à reunião e afirma que a vítima deveria sair do local com ferimentos graves.
“Então, quem for amigo, quem ficar com pena, quem falar que pode dar merda porque a família pode correr atrás, que pode dar polícia, nem vá para a reunião. Deixa que quem quiser resolve, entendeu? Porque amanhã ele vai ter que sair com a mão esmagada para, de lá, ele fazer cirurgia. Tem que se foder e apanhar mesmo para servir de exemplo”.
Em outro áudio, ele faz referência à possibilidade de uma cena violenta:
“Amanhã a gente vai pegar ele daquele jeito. Quem tiver nojo de sangue não vá, porque a gente vai pegar ele e vai ser uma cena triste para ficar de exemplo”.
Fonte:g1.globo.com/ba
Matheus Pires Castro, presidente da Bamor, maior torcida organizada do Bahia — Foto: Reprodução/Redes Sociais


















