Sistema que administra valores do TJ-BA foi alvo de ataque cibernético; advogada relata insegurança e falta de informações
A cada mês, a advogada Talita Rogaciano faz a emissão de uma guia para depósito judicial de um cliente. No último dia 15, porém, não conseguiu. Entrou em contato com a Vara responsável, mas ninguém sabia dizer o que estava acontecendo – era o primeiro sinal de que havia algo errado.
Talita ficou sem respostas até o dia 17, quando passou a ouvir que havia uma instabilidade no sistema BRBJus, do Banco de Brasília (BRB), que faz a gestão dos depósitos judiciais do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Na sexta-feira, dia 18, o TJ emitiu um comunicado sobre um ataque cibernético sofrido pela plataforma. O incidente resultou no desvio de R$ 43 milhões em depósitos judiciais da Corte.
Assim, há mais de uma semana, nenhum depósito judicial foi feito na Bahia. No caso de Talita, pelo menos cinco clientes já foram diretamente afetados pela situação – seja porque estão esperando a emissão do alvará, assinatura do juiz ou expedição de Requisição de Pequeno Valor (RPV), a ordem de pagamento emitida pela Justiça para quitar dívida de órgãos públicos.
“Fora outros (clientes) que têm depósitos judiciais nos processos, porque isso também gera uma inquietação e uma preocupação, já que a gente não sabe se essas contas judiciais foram atingidas pelo desvio. Então, também tem essa situação de outros processos que não estão para receber agora, mas que têm valores depositados nas contas judiciais”, diz ela, em entrevista ao CORREIO.
O TJ divulgou, no fim da tarde desta quinta-feira (24), que o BRB restabeleceu integralmente o sistema BRBJus, inclusive para pagamento eletrônico de alvarás.
“A referida comunicação, no entanto, esclarece que a retomada segura e controlada das transações observará, neste primeiro momento, o limite de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) no período diurno, a partir das 7h, e de R$ 100.000,00 (cem mil reais) no período noturno, a partir das 18h”, diz o tribunal.
Em um grupo com cerca de 200 colegas do qual a advogada Talita Rogaciano faz parte, uma pessoa chegou a comentar hoje que conseguiu receber o valor de um alvará.
“Mas, ontem, uma colega informou que recebeu o valor do alvará e que ele foi estornado depois. Tem também essas situações de insegurança, porque a gente não sabe se, depois que o pix for contestado e o dinheiro for estornado, como vai ficar? A gente está no meio dessa tempestade, sem muita informação”.
Fonte:www.correio24horas.com.br


















