Cortejo realizado no domingo que antecede a Festa de Senhora Sant’Ana, padroeira do município, atravessa mais de um século de história. Edição deste ano será dia 12 de julho.
Quem acompanha o Bando Anunciador pelas ruas do Centro de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, vê um cortejo formado por fantasias, marchinhas, charangas, fanfarras e milhares de pessoas de diferentes idades. O que muitos talvez não saibam é que a manifestação nasceu há mais de um século com uma função bem diferente: anunciar à população que a Festa de Senhora Sant’Ana, padroeira do município, estava prestes a começar.
Realizado sempre no domingo que antecede em 15 dias a festa da padroeira, o Bando Anunciador se consolidou como uma das principais manifestações culturais de Feira de Santana e atravessou diferentes momentos da história da cidade.
No próximo domingo (12), o cortejo volta a ocupar o Centro Histórico reunindo grupos organizados por moradores de bairros, famílias, amigos, estudantes e instituições, que mantêm viva uma tradição iniciada ainda no século XIX.
A historiadora e diretora do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Cristiana Oliveira, explicou ao g1 que os primeiros registros da manifestação remontam ao período em que Feira ainda era uma vila.
“O Bando Anunciador surgiu no século XIX para anunciar à população que a festa da padroeira estava se aproximando. Era um grupo que percorria as ruas da então vila informando quando começariam os festejos e convidando as pessoas para participar dos ritos religiosos”.
Da elite às ruas: como o Bando se tornou uma festa popular

Foto: Edvan Barbosa
De acordo com a historiadora, naquele período a organização da manifestação estava ligada às famílias que concentravam poder econômico e político na cidade, como fazendeiros, criadores de gado e comerciantes, que também participavam da comissão responsável pela realização da festa religiosa. A tradição, segundo ela, está diretamente relacionada ao processo de povoamento da região e à devoção portuguesa à Senhora Sant’Ana, introduzida no Brasil durante a colonização.
Com o passar dos anos, no entanto, o Bando passou por transformações e deixou de ser uma manifestação vinculada apenas às elites locais. A população passou a ocupar esse espaço e a incorporar novas formas de participação, fazendo surgir as fantasias, as marchinhas, os grupos organizados pelos bairros e manifestações marcadas pelo humor, pela irreverência e também por críticas sociais.
Fonte:g1.globo.com/ba
Foto: Edvan Barbosa


















