Um crescimento expressivo no número de agricultores cadastrados no programa Garantia Safra tem chamado atenção no município de Antônio Cardoso. O destaque deste ano é a forte inclusão de agricultores quilombolas, que passaram a acessar o programa a partir da emissão do CAF Quilombola.

O Garantia Safra é uma política do Governo Federal, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que busca assegurar renda mínima a agricultores familiares que sofrem perdas na produção devido à seca ou ao excesso de chuvas.
O avanço nas inscrições tem uma causa clara: a emissão do CAF Quilombola. Antes, muitos agricultores das comunidades quilombolas não conseguiam participar do programa por não possuírem terra própria, já que cultivavam em áreas emprestadas, o que impedia o acesso ao Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).
Com a criação dessa modalidade específica, esses agricultores passaram a ser reconhecidos oficialmente, garantindo o direito de se inscrever no programa, desde que atendam aos critérios exigidos.
Além disso, a Secretaria Municipal de Agricultura intensificou o trabalho de campo, promovendo mutirões de cadastramento, com apoio da Bahiater, e levando atendimento técnico diretamente às comunidades rurais — o que facilitou ainda mais o acesso ao benefício.
O resultado foi um salto significativo: o município registrou um aumento de 192,90% nas inscrições em relação ao ano anterior. Em 2025, foram 465 agricultores cadastrados; já para o Garantia Safra 2026, o número chegou a 897 inscritos.
A agente administrativa Antônia Maria de Carvalho Silva, reforçou o impacto da mudança. “O CAF Quilombola foi fundamental. Muitos agricultores não tinham acesso antes, e agora conseguem se cadastrar e garantir esse direito. Isso fez toda a diferença nesse aumento”, destacou.
O prefeito Jocivaldo dos Anjos também ressaltou a importância da iniciativa. “Quando a gente garante acesso à documentação, garante também dignidade. Esse crescimento mostra que estamos no caminho certo, incluindo quem sempre teve dificuldade de acessar políticas públicas”, afirmou.
Para participar do programa, o agricultor deve ter renda familiar de até 1,5 salário mínimo, plantar entre 0,6 e 5 hectares e realizar a adesão dentro do prazo. Em caso de perdas iguais ou superiores a 40% nas culturas de feijão, milho ou mandioca, o produtor que contribuiu com R$ 12,00 recebe R$ 1.200,00 em parcela única.
O resultado reforça como o acesso à documentação, especialmente por meio do CAF Quilombola, pode transformar a realidade de comunidades inteiras e ampliar o alcance das políticas públicas no campo.



















