Série especial debate violência contra a mulher e destaca importância da denúncia
Uma série especial de reportagens voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher começa a ser veiculada nesta semana pelo Grupo JB News dentro da programação especial do Março Mulher, projeto que chega à sua 11ª edição em 2026
A primeira matéria traz uma entrevista com a delegada Lorena Almeida, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), que destaca os principais tipos de violência registrados e alerta para sinais que podem aparecer ainda no início dos relacionamentos.
De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado neste ano, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. O estudo também aponta que oito em cada dez casos são cometidos por parceiros ou ex-companheiros.
Segundo a delegada, os registros mais comuns feitos na delegacia não estão necessariamente relacionados à agressão física, mas sim à violência psicológica e moral.
“O maior número de registros é relacionado às violências morais ou psicológicas. Então a gente tem os crimes contra a honra, como difamação e injúria, além da ameaça. Também há um número alto de casos de lesão corporal, mas a maioria envolve ameaça e crimes contra a honra”, explicou.
A delegada ressalta que, na maioria das vezes, os sinais aparecem ainda no início da relação, antes que ocorram agressões físicas.
“Na maioria dos casos dá para perceber esses sinais logo no início do relacionamento. Atos de chantagem emocional, manipulação, ciúme excessivo ou quando o homem perde o controle com facilidade e começa a gritar. Tudo isso pode configurar violência psicológica, que geralmente é a primeira etapa do ciclo da violência”, destacou.
Outro alerta feito pela delegada é sobre comportamentos de controle que muitas vezes são normalizados dentro da relação.
“Dificilmente a violência começa com agressão física. Geralmente começa com atitudes de controle da liberdade da mulher: querer saber para onde ela vai, que roupa usa, com quem anda, verificar celular ou até o ambiente de trabalho. Esses atos de controle excessivo são indícios de uma futura violência física”, afirmou.
A aplicação da Lei Maria da Penha é considerada um dos principais instrumentos de proteção às vítimas. Entre os mecanismos previstos na legislação está a medida protetiva de urgência, que impede o agressor de se aproximar da vítima.
“A Lei Maria da Penha traz a figura da medida protetiva, que é um mecanismo importante para romper o ciclo da violência doméstica. Quando a mulher tem essa medida deferida, ela passa a fazer parte da rede de proteção e vários órgãos atuam juntos para preservar a vida dela”, explicou.
A delegada lembra ainda que o descumprimento da medida é crime.
“O simples ato de o agressor se aproximar da mulher que possui uma medida protetiva já configura um crime autônomo. Caso isso aconteça, a vítima pode acionar imediatamente a polícia e o agressor pode ser preso”, acrescentou.
Para a delegada, o enfrentamento da violência doméstica não depende apenas das vítimas ou das autoridades, mas de toda a sociedade.
“O combate à violência doméstica é papel de toda a sociedade. Essa violência é consequência de uma estrutura histórica em que os homens sempre tiveram posição de poder e as mulheres tiveram seus direitos negados. Quando a sociedade rejeita ideias que diminuem ou humilham as mulheres, está contribuindo diretamente para o fim do feminicídio”, pontuou.
Ela explica que a maioria dos casos de feminicídio não ocorre de forma repentina.
“O feminicídio dificilmente acontece como um ato isolado. Ele geralmente começa com violência psicológica, baseada na crença de que a mulher é propriedade do homem ou que ele tem direito de controlar a vida dela. Essas ideias precisam ser combatidas”, destacou.
Dra. Lorena também orienta mulheres que vivem situações de violência a não minimizar os sinais ou acreditar que o caso é diferente.
“Muitas vítimas pensam que o caso delas é diferente, que ele fez aquilo porque estava nervoso, que ele ama a família ou que é uma boa pessoa. Mas precisamos deixar claro que a violência tende a se repetir. É preciso romper esse ciclo antes que a vítima perca a própria vida”, alertou.
Em Feira de Santana, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher funciona em regime de plantão permanente.
“A DEAM funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. A qualquer momento a mulher pode vir até a unidade para registrar ocorrência, solicitar medida protetiva ou realizar os encaminhamentos necessários. Nossas portas estão abertas para acolher e proteger essas vítimas”, concluiu.
Série especial
Produzida pela jornalista Isabel Bomfim e coordenada editorialmente pelo âncora Jorge Biancchi, a série especial seguirá ao longo da semana com reportagens, entrevistas e orientações sobre prevenção, denúncia e rede de apoio às mulheres vítimas de violência.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim
Fonte:deolhonacidade.net
Foto: Rafael Marques


















