Embora quase desconhecida, dona Maria Amélia Souza Gomes, a dona Milu tomou conta do transmissor da emissora durante 60 anos
O último mês teve especial significado para a história do rádio em Feira de Santana. No dia 7 de setembro de 1948, com um pequeno transmissor de 250 watts, surgia de forma pioneira a Rádio Sociedade (ZYR-3, 970 kHz), implantada pelo gráfico, alfaiate, desenhista e político Pedro Matos, sem dúvida o “pai do rádio” no interior da Bahia, embora até hoje sem o merecido reconhecimento ou sequer uma homenagem. Depois dele, vieram os frades Capuchinhos, que passaram a administrar a emissora, levando-a à importante posição que hoje ostenta entre as grandes empresas de comunicação do país.
Seria impossível alcançar o patamar atual sem a luta de gestores, funcionários, patrocinadores e admiradores. Do mesmo modo, seria praticamente impossível nomeá-los, mas há figuras que, sem minimizar as demais, projetaram-se nessa bela história com decisiva participação. Frei Hermenegildo de Castorano foi o primeiro dessa ordem religiosa a dirigir a emissora, adquirindo um transmissor de 1 kHz em São Paulo em uma longa viagem, devido às condições da rodovia na época, ao lado de Amadeu de Jesus (Pitanga Roxa) e Edval Souza.
Mas foi na administração do frei Aureliano de Grottamare que a Sociedade de Feira alcançou sua “maioridade”. Com uma capacidade administrativa incomum, ele edificou a sede atual, na Rua Frei Hermenegildo de Castorano, para onde a emissora foi transferida em 1965 e inaugurada em 1966. Até então, a Sociedade tinha sede administrativa no Edifício Café São Paulo (Praça da Bandeira) e estúdios na Rua de Aurora (Desembargador Filinto Bastos), no prédio do Cine Plaza, que deixara de funcionar.
Amadeu de Jesus (Pitanga Roxa ou simplesmente Pitanga) teve papel importante na história da Rádio Sociedade. Ele começou a trabalhar muito jovem, logo que a emissora foi adquirida pelos Capuchinhos, e nela permaneceu até o final da vida. Era motorista e operador de externa nas transmissões que a emissora fazia, especialmente em jogos de futebol. Era também uma “marca”, verdadeiro “embaixador” da empresa que ele representava com incansável denodo. No local que ele chegava, sabia-se que a Sociedade estava ali.
Outra figura importante dessa história, embora quase desconhecida devido ao local onde ele ficava, fora da zona urbana, foi dona Maria Amélia Souza Gomes — dona Milu, nascida em Ipirá. Em 1948, Rosalvo Cunha, o marido dela, foi contratado para tomar conta do transmissor da emissora recém-inaugurada, mas não ficou. Dona Milu, muito jovem, assumiu o cargo e, durante 60 anos, permaneceu na atividade considerada extremamente perigosa devido à radiofrequência. Dona Milu criou um filho e três filhas, morando nos transmissores da emissora, local absolutamente ermo.
José Nilton Ramos, “Zé Nilton”, veio de Esplanada a convite do frei Aureliano de Grottamare. Começou como auxiliar de escritório. Inteligente e trabalhador, logo granjeou prestígio, tornando-se respeitado diretor comercial. Foi importante na consolidação da emissora. Assim como ele, Dario Nogueira, responsável pelo parque de transmissores da Rádio Sociedade, também deixou sua marca nessa trajetória. Radiotécnico de valor na cidade, Dario Nogueira passou a se dedicar prioritariamente à emissora.
Edval Souza, destacado repórter, é outro nome inserido na história da Rádio Sociedade de Feira de Santana, na qual começou ainda menor de idade. Depois de ter dado boa contribuição à emissora, ele deixou o rádio para retornar anos depois, fixando-se como titular do jornalismo e deixando para a posteridade sua inesquecível expressão: “Se não quer que a notícia seja divulgada, não deixe que o fato aconteça!”.
Fonte:www.feiradesantana.ba.gov.br
3/10/2024, 8:50 | Fotos: Arquivos Radio Sociedade de Feira

















